29 dias em Cuba

Mural Cuba CIJAMCuba, como me disseram muitos cubanos com os quais conversei, não é o paraíso, mas também não é o inferno. É um país de contrastes e, talvez, contradições. Ao mesmo tempo em que é um país muito pobre economicamente, no campo político é muito rico. Cuba tem um povo disposto a, em qualquer momento, pegar em armas para defender com o próprio sangue a sua pátria, não por uma obrigação militar, mas porque entendem e fazem parte da revolução cubana.

Há alguns anos eu tinha em mente a fixa ideia de conhecer Cuba, mais precisamente, desde o verão de 2009, quando soube da existência das Brigadas de Solidariedade a Cuba. E foi justamente como brigadista da XX Brigada Sul-americana de Solidariedade a Cuba que cheguei ao Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, no dia 19 de janeiro de 2013. A Brigada ficou sediada no Acampamento Internacional Julio Antonio Mella (CIJAM, sigla em espanhol), no município de Caimito, e durou até o dia 03 de fevereiro. Nesse período assistimos a palestras, sobre a economia e a comunicação em Cuba, por exemplo; conhecemos lugares importantes da revolução, como o local do assalto ao Trem Blindado; trabalhamos na agricultura local, já que o trabalho voluntário é uma das propostas das Brigadas; e participamos da Terceira Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, que contou com a presença de importantes intelectuais como Ignácio Ramonet e Frei Betto.

O período pós-Brigada, de 04 a 16 de fevereiro,IMG_5296 foi muito mais intenso, e foi quando eu me senti realmente imersa na realidade cubana. Nesse período, já no dia 04, eu, meu namorado Alexandre e mais três amigos, Rolf, Brenda e Marília, começamos uma viagem para atravessar Cuba de carro. A ideia inicial era fazer um dia inteiro de viagem até Santiago de Cuba, onde ficaríamos por dois dias e depois voltaríamos em mais um dia de viagem, mas os planos foram mudando e acabamos conhecendo cinco cidades no caminho entre Havana e Santiago: Las Tunas, Santiago de Cuba, Siboney, Ciego de Ávila e Cienfuegos. Essa experiência por si só já foi incrível, daqui a 40 anos vou poder contar para os meus netos sobre a vez em que atravessamos Cuba em um microcarro, mas o mais importante foi o que vimos, ouvimos, as pessoas que conhecemos pelo caminho, isso sim me fez sentir Cuba.

Depois de quatro dias, já de volta à Havana, o tom da viagem mudou novamente, passaríamos ali sete dos oito dias de viagem restantes. Nesses dias eu queria conhecer a cidade e os pontos turísticos, ou políticos, sim, mas também queria viver a vida havaneira: comer onde os cubanos comem, ter o lazer dos cubanos. Nesse quesito acho que não tive muito sucesso, consegui fazer alguns programas deles, e comer em alguns lugares onde eles comem, mas de uma forma geral não consegui me inserir no contexto social local, muito porque não encontrei neles abertura para isso. Aliás, esse é um dos grandes contrastes que notei, tudo o que as pessoas têm de abertas e receptivas pelo interior, as da capital têm de fechadas e, certas vezes, grosseiras. Mas, ainda assim, conhecemos pessoas bacanas, que nos ajudaram a conhecer um pouco mais da história e da atualidade do seu país.

HavanaMesmo com muitas coisas por fazer e conhecer em Havana, ainda conseguimos tempo, e, de certa forma, tínhamos a obrigação de conseguir tempo pra isso, para conhecer Playa Girón, onde o imperialismo Ianque sofreu a sua primeira derrota na América Latina, ao tentar invadir Cuba em 1961. Foi uma viagem curta, de um dia, fomos pela manhã e voltamos ao entardecer, mas muito produtiva. Quando estávamos quase chegando paramos para pedir informação para uma senhora que estava na beira da estrada, ela indicou o caminho e perguntou se a podíamos levar, já que estava indo para o mesmo lado. Levamos, claro. E no fim das contas, com toda a conversa que tivemos com ela, quem saiu ganhando com a carona fomos nós. Em Cuba pedir carona é muito comum, os acostamentos estão sempre cheios de pessoas pedindo carona.  Já em Playa Girón, conhecemos o museu da Batalha e ainda deu tempo de aproveitar a lindíssima praia.

O dia 16 foi de fazer as malas, de ir pela última vez (nessa viagem, claro) ao “Loco Loco”, restaurante onde fomos praticamente todos os dias que estivemos em Havana, de nos despedir dos nossos anfitriões, Letícia e Girardo, (ficamos em casas de família todo o tempo que ficamos em Cuba depois das brigadas), de voltar para o Aeroporto Internacional José Martí, com a tristeza de deixar Cuba e o desejo de voltar em breve, e a felicidade de voltar pra casa. Em Cuba, eles não carimbam o passaporte de quem chega e sai do país porque países como os Estados Unidos dificultam ainda mais o visto e impõem multas para quem tiver esse carimbo. Quem quiser esse registro tem que solicitar no momento em que passa pela imigração. Na chegada eu não me lembrei de pedir o carimbo, e lamentei isso a viagem inteira. Mas na hora de ir embora eu lembrei, e consegui o recuerdo de Cuba que eu mais queria, meu passaporte carimbado pela imigração cubana.

Esse post de abertura do blog foi para fazer um resumo da viagem e situar os próximos posts que serão mais específicos, sobre a política cubana, a economia, a comunicação, a cultura, os personagens, os lugares… Enfim, a partir de agora começo compartilhar a Cuba que conheci.

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2 respostas para 29 dias em Cuba

  1. Sturt disse:

    E nesse carro rosa que vcs cortaram o país de ponta a ponta?

    Vou divulgar o blog de vcs no Blog Solidários: http://convencao2009.blogspot.com.br
    Abs!

  2. gabriel disse:

    muito bom me ajudou muito vlw

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