Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba – segundo dia debate integração

Publicado originalmente no Jornalismo B Notícias

Texto: Alexandre Haubrich / Jornalismo B
Fotos: Alexandre Haubrich e Bruna Andrade / Jornalismo B

img_5813O segundo dia da XXI Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, que reuniu mais de trezentas pessoas em Foz do Iguaçu, começou com uma palestra a respeito do sistema de saúde cubano, apresentada pelo Dr. Angel Fernandez. Ele falou sobre a importância da integração de todos os níveis da Saúde em Cuba e fez um panorama histórico e de dados no setor.

Fernandez fez questão de destacar a linha fundamental do sistema de Saúde cubano: “gratuito, universal e acessível a todos”. Na década de 1970, conforme relatou, incrementou-se a colaboração internacional de Cuba a outros países em questões ligadas à Saúde. Já na década seguinte o foco principal foi o aprofundamento dos programas de saúde da família. Nos anos 1990, apesar da gigantesca crise, chamada de “período especial”, causada pela quebra da União Soviética, as conquistas nesse setor, assim como na Educação, foram preservadas. Com o início da recuperação econômica o investimento em tecnologia de ponta tornou-se a maior ambição.

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O médico cubano citou algumas conquistas da Saúde cubana: “criação do Serviço Médico Social Rural, controle de enfermidades transmissíveis, aperfeiçoamento de atenção primária, rede nacional de informação estatística, sistemas de vigilancia em saúde de ampla cobertura, novas especialidades assistenciais e sanitárias, criação de institutos de investigação, busca de independência tecnológica, produção de medicamentos e vacinas, universidades médicas”. Também apresentou alguns dados que demonstram essas conquistas: mortalidade infantil de 4,5%, comparável a países desenvolvidos; mortalidade em menores de 5 anos de 5,7%; esperança de vida ao nascer de 77,97 anos; mortalidade materna de 29,4 por 100 mil.

Angel Fernandez falou também das missões internacionalistas dos médicos cubanos, desde a criação da primeira brigada médica, em 1963, que foi ao Chile ajudar vítimas de um terremoto, e até 2003, com a criação da Missão Bairro Adentro, na Venezuela. “Cuba não dá o que sobra, compartilha o que tem”, disse.

Integração em debate e preocupação com contraofensiva

O painel seguinte trouxe a questão da integração como ponto fundamental, participando o embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez, o dirigente nacional do PT, Valter Pomar, e o dirigente do PCdoB, Ricardo Alemão Abreu.

IMG_6154O embaixador fez uma fala breve, destacando e agradecendo a solidariedade a Cuba e defendendo os princípios da soberania do país e dizendo-se atento à contraofensiva estadunidense na América Latina e no Caribe. Chamou à unidade das forças de esquerda, lembrando a trajetória cubana de derrotas, especialmente no fim do século XIX, causadas por divisões entre os rebeldes. “Se o processo não avança, abrimos espaço ao império e perdemos tudo”, disse.

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Valter Pomar, por sua vez, falou como dirigente também do Foro de São Paulo, onde se reúnem partidos progressistas da América Latina, repudiou o imperialismo estadunidense e elogiou o papel que têm cumprido os diversos blocos latino-americanos e caribenhos. Ele explicou que a estratégia política da esquerda deve combinar três elementos para construir a transformação e a integração: partidos, movimentos sociais e governos. Pomar, porém, mostrou preocupação com a contraofensiva imperialista, que tem se utilizado de governos de direita presentes na região. Para ele, a Aliança do Pacífico é uma ameaça que deve ser vista com atenção.

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Ricardo Alemão Abreu demonstrou temor semelhante, e lembrou as características comuns latino-americanas e caribenhas identificadas por Simón Bolívar, em uma época, e Darcy Ribeiro, em outra. No mesmo sentido citou o herói cubano José Martí e outras lideranças históricas de processos de luta na região.

Em seguida, representantes da delegação da Venezuela fizeram uma apresentação do que será a Convenção Continental de Solidariedade a Cuba, que acontecerá em Caracas em julho próximo. Também a integrante da delegação do Rio Grande do Sul, Maria Cezira Oliveira, foi designada a nova coordenadora brasileira das Brigadas Sulamericanas de Solidariedade a Cuba, que todo ano levam militantes brasileiros para conhecer a realidade da Revolução Cubana.

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O dia e a Convenção foram encerrados com encaminhamentos de propostas sobre três questões que foram a base dos debates em Foz: a luta contra o bloqueio econômico, a campanha midiática da direita contra Cuba, e a luta pela libertação dos Cinco Heróis. Por fim, foi lida a Carta Final do evento, e novas apresentações culturais encerraram a etapa presencial da Convenção, com a promessa de que o encontro seguirá rendendo frutos nos estados e nas ações em defesa da soberania, da integração e do legado da Revolução Cubana.

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Depoimentos emocionados na tarde do primeiro dia da Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba

Publicado originalmente no Jornalismo B Notícias

Texto: Bruna Andrade / Jornalismo B
Fotos: Alexandre Haubrich / Jornalismo B

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Na tarde do dia 13, a XXI Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba foi marcada por dois emocionados depoimentos de Adriana Pérez, deputada e esposa de Gernardo Hernández, um dos 5 antiterroristas cubanos; e de Carlos Permuy, filho de uma das 73 vítimas do atentado de 1976 em Barbados.

Carlos falou sobre as décadas de terror que Cuba viveu após o triunfo da Revolução. Na época em que ocorreu o atentado terrorista que derrubou o voo 455 da empresa Cubana de aviação em Barbados, ações como esta eram recorrentes, os hotéis também eram alvos frequentes dos terroristas, que tinham como objetivo prejudicar o turismo no país já que este é uma das principais fontes de divisas de Cuba.

Ele ainda lembrou que “a maior parte destes atentados estava sendo arquitetada por grupos de terroristas contrarrevolucionários cubanos radicados em Miami, que tiveram o apoio e financiamento do governo estadunidense”. Com base nisso, Permuy ainda colocou que “é a maior vergonha para os Estados Unidos que se volte a incluir Cuba na lista dos países patrocinadores do terrorismo”.

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Para tentar evitar novos ataques ao país, o governo cubano enviou ao país vizinho uma equipe de agentes que tinham a missão de se infiltrar em grupos terroristas. A partir do trabalho destes agentes, em junho de 1988, o governo de Cuba entregou ao FBI um relatório com mais de 200 páginas, além de gravações, que comprovariam a existência de atividades terroristas no país. A resposta do governo dos Estados Unidos foi, em setembro do mesmo ano, prender os antiterroristas cubanos, alguns participaram do programa de delação premiada e foram soltos, mas cinco deles se recusaram a participar e foram acusados por mais de 20 crimes, incluindo “conspiração para espionagem” e “conspiração para homicídio”. Entre novembro de 2000 e junho de 2001 eles foram a juízo, em um julgamento que foi questionado até mesmo pela Anistia Internacional, e foram todos condenados a penas máximas. Gerardo Hernández Nordelo: duas prisões perpétuas e 15 anos; Ramón Labañino Salazar: uma prisão perpétua e 18 anos; Antônio Guerrero Rodríguez: uma prisão perpétua e 10 anos; Fernando González Llort: 19 anos; René González Shewerert: 15 anos, este último foi autorizado em maio deste ano a terminar de cumprir sua pena em regime aberto em Cuba.

Adriana Pérez falou sobre a questão dos 5 heróis cubanos lembrando que “eles dedicaram a sua juventude e as suas vidas para proteger a de 11 milhões de compatriotas”. Ela ainda ressaltou que “se não houvessem tantos ataques, não haveria necessidade de eles estarem nos Estados Unidos” e que os 15 anos que já se passaram já são suficientes para que pagassem pelos crimes, de falsidade ideológica e de serem agentes de governos estrangeiros, que confessaram ter cometido.

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Adriana emocionou a todos quando lembrou que seu companheiro, Gerardo, está condenado a morrer na prisão por proteger Cuba do terrorismo, e dos familiares que não poderão mais ver o regresso dos 5, como o pai de René González, que morreu um mês antes do filho voltar a Cuba. “Cuba precisa dos 5 em Cuba, e eu preciso de Gerardo em minha casa”, completou emocionada.

A deputada ainda pediu a solidariedade internacional para divulgar a causa dos 5 com ações como a “Semana pelos 5”, que aconteceu recentemente em Washington, e o livro do jornalista brasileiro Fernando Morais “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” que conta a história desses heróis cubanos. E ressaltou que “as ações tem que ser dirigidas ao governo estadunidense, porque é lá que estão presos os nossos 5”.

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Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba – Primeiro dia defende soberania cubana

Publicado originalmente no Jornalismo B Notícias

Texto: Alexandre Haubrich, Jornalismo B
Fotos: Bruna Andrade e Alexandre Haubrich, Jornalismo B

 IMG_5878Nos dias 13 e 14 mais de 300 militantes de diversos estados brasileiros, da Argentina, do Paraguai e da Venezuela se juntaram, em Foz do Iguaçu, à delegação de Cuba, e debateram formas de apoio à Revolução Cubana na XXI Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba.

A programação do primeiro dia teve debates sobre as formas de terrorismo contra Cuba. Primeiro, o terrorismo midiático. Depois, três casos específicos de ataques contra a população cubana: a base de Guantánamo; o caso do atentado contra o vôo 455 da Cubana de Aviação, em 1976; e a história dos Cinco Heróis, antiterroristas cubanos presos há 15 anos nos Estados Unidos.

As atualizações do modelo econômico

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Antes, porém, quem esteve na mesa foi a economista cubana Gladys Hernández, apresentando um panorama e respondendo perguntas sobre as atualizações do modelo econômica que o país vem levando a cabo já há alguns anos. Ela explicou o longo processo de debates na base para montar o projeto de atualizações. Conforme relatou, são quatro eixos: debates nas assembleias Municipais, Provinciais e Nacional; nas organizações de massa; e nas fábricas. O enfrentamento ao problema do êxodo rural – Cuba importa 70% dos alimentos que consome – também foi destacado por Gladys. Os créditos para produção e comercialização são o principal caminho nesse sentido.

O terrorismo midiático

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Em seu painel sobre mídia, o jornalista e blogueiro Iroel Sánchez ressaltou que Cuba “é o único país em que coexistem um alto Índice de Desenvolvimento Humano e uma prática de sustentabilidade”. Mas seu foco era mesmo a disputa midiática, e lembrou que “a palavra ‘Cuba’ sempre aparece na mídia acompanhada da palavra ‘ditadura’”. Iroel falou do uso da imigração como arma midiática. Para ele o discurso que fala sobre “fugas” de cubanos é mentiroso, já que a maior parte das imigrações têm razões econômicas e que outros países da região têm proporcionalmente mais saídas aos EUA do que Cuba.

Iroel, um dos criadores do EcuRed (a Wikipédia cubana), chamou os presentes a se inserirem na “guerra das redes” e falou sobre as formas pelas quais Cuba é abordada na mídia dominante: “Quando se fala de Cuba ou fala o governo, demonizado, ou as marionetes (oposicionistas da Revolução financiados por organizações estadunidenses), mas há todo um espectro entre eles”. E buscou explicações: “Os meios de comunicação não fazem o que fazem simplesmente por serem maus, mas por terem interesses de classe e financeiros”, afirmou.

Presidente do Conselho Mundial da Paz fala sobre Guantánamo

IMG_5790A brasileira Socorro Gomes, presidenta do Conselho Mundial da Paz, foi à mesa lembrar mais um exemplo de violação da soberania cubana: a existência e manutenção da base de Guantánamo. Socorro fez uma retomada histórica do imperialismo estadunidense na região, citando a base de Guantánamo, a Emenda Platt, a Doutrina Monroe, e criticando a montagem de bases navais em regiões estratégicas para a política externa dos EUA. Disse ainda que “o terrorismo de Estado, através de ameaças, terror, chantagem e violência, é a forma de domínio exercida pelos Estados Unidos”.

Debates sobre turismo e apresentações culturais completam o dia

Uma das mesas do primeiro dia trouxe ainda três brasileiros que estiveram recentemente em um grande evento de turismo realizado em Havana, e apresentaram impressões sobre o setor turístico da ilha. Ao final, preparando o espírito dos participantes para o dia seguinte, algumas apresentações culturais encerraram as atividades.

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VIII Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba

Por Vânia Barbosa 

No próximo dia 8 de junho de 2013, a Associação Cultural José Marti/RS realiza, em Porto Alegre, a “VIII Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba”, atividade preparatória para o encontro nacional, que ocorre entre nos dias 13, 14 e 15 de junho, em Foz do Iguaçu.

A convenção gaúcha terá a participação da Consulesa de Cuba no Brasil, Ivette Martinez, e debaterá temas como a Campanha pela Libertação dos Cinco Antiterroristas Cubanos Presos nos Estados Unidos; O Combate ao Terrorismo Internacional contra Cuba; A Luta contra o Bloqueio Econômico e Financeiro a Cuba e Organização das Brigadas Internacionais para Cuba.

O evento ocorre das 9 às 13h, na sede da AFOCEFE – SINDICATO, na Rua dos Andradas, 1234, 21º andar, centro de Porto Alegre.

Em Foz do Iguaçu a XXI Convenção Nacional, coordenada pelo professor Kico França vai contar com painéis formados por representantes das entidades de solidariedade a Cuba no Brasil e demais painelistas como o Vice – Presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos – ICAP, Elio Gamez; Adriana Pérez, ativista e esposa de Gerardo Hernández, um dos Cinco antiterroristas cubanos nos EE.UU; a Presidenta do Conselho Mundial da Paz e do CEBRAPAZ, Socorro Gomes; os jornalistas Beto Almeida, da TV Senado e Iroel Sánchez, também blogueiro cubano; Carlos Permuy, familiar de uma das vítimas do atentado contra o avião cubano em Barbados e o Secretário Executivo do Foro de São Paulo, Valter Pomar. Ainda participam o Embaixador de Cuba, Carlos Zamora Rodríguez, e o Conselheiro Político da Embaixada Rafael Hidalgo, além de Fábio Simeón, representante do ICAP no Brasil.

São aguardados convidados de partidos políticos, centrais sindicais, movimentos sociais e estudantis, da União Brasileira de Mulheres – UBM; União de Negros e Negras pela Igualdade – UNEGRO; da Universidade Federal da Integração Latino-Americana – UNILA, Uniamérica; Unioeste; União Dinâmica Cataratas; CESUFOZ-FAFIG; UNIFOZ; Anglo-americano.; CONAN;IES e representantes da Venezuela, Paraguai e Argentina. Leia a programação completa no link http://www.convencaonacionalcubabrasil.org/.

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Veintinueve Días en Cuba

IMG_3581Cuba, como me dijeron muchos cubanos con los cuales conversé, no es el paraíso, pero tampoco es el infierno. Es un país de contrastes y, tal vez, contradicciones. Mientras que es un país muy pobre económicamente, en la política es muy rico. Cuba tiene un pueblo dispuesto a, en cualquier momento, coger armas para defender con la propia sangre su patria, no por una obligación militar, pero porque entienden y forman parte de la Revolución Cubana.

Hace algunos años que yo tenía en mente la fija idea de conocer Cuba, más precisamente, desde el verano de 2009, cuando supo de la existencia de las Brigadas de Solidaridad a Cuba. Y fue justamente como brigadista de la XX Brigada Sudamericana de Solidaridad a Cuba que llegué al Aeropuerto Internacional José Martí, en La Habana, en el día 19 de enero de 2013. La Brigada quedó acogida en el Campamento Internacional Julio Antonio Mella, en el municipio de Caimito, y duró hasta el día 03 de febrero. En ese periodo asistimos conferencias, sobre la economía y la comunicación en Cuba, por ejemplo; conocemos lugares importantes de la Revolución, como el sitio del asalto al Tren Blindado; trabajamos en la agricultura, ya que el trabajo voluntario es una de las propuestas de las Brigadas; y participamos de la Tercera Conferencia Internacional por el Equilibrio del Mundo, que contó con la presencia de importantes intelectuales como Ignácio Ramonet y Frei Betto.

IMG_5296El periodo después de la Brigada, de 04 a 16 de febrero, fue mucho más intenso, y fue cuando yo me sentí realmente inmersa en la realidad cubana. En ese periodo, ya en el día 04, yo, mi novio Alexandre y tres amigos más, Rolf, Brenda y Marília, comenzamos un viaje para atravesar Cuba de coche. La idea inicial era hacer todo un día de viaje hasta Santiago de Cuba, donde quedaríamos por dos días y después volveríamos en más un día de viaje, pero los planes fueron cambiando y acabamos conociendo cinco ciudades en el camino entre La Habana y Santiago: Las Tunas, Santiago de Cuba, Siboney, Ciego de Ávila y Cienfuegos. Sólo esa experiencia ya fue increíble, de aquí a 40 años voy a poder contar para mis nietos sobre la vez en que atravesamos Cuba en un micro-coche, pero el más importante fue lo que vimos, oímos, las personas que conocemos por el camino, eso sí me hizo sentir Cuba.

Tras cuatro días, ya de vuelta a La Habana, el tono del viaje cambió nuevamente, pasaríamos allí siete de los ocho días de viaje restantes. En esos días yo quería conocer la ciudad y los puntos turísticos, o políticos, sí; pero también quería vivir la vida  de La Habana: comer donde los cubanos comen, tener la diversión de los cubanos. En ese quesito creo que no tuve mucho éxito, conseguí hacer algunas cosas que ellos hacen, y comer en algunos lugares donde ellos comen, pero de una forma general no conseguí insertarme en el contexto social, mucho porque no encontré en ellos apertura para eso. A propósito, ese es uno de los grandes contrastes que noté, todo lo que las personas tienen de abiertas y receptivas por el interior, las de la capital tienen de cerradas y, ciertas veces, groseras. Pero, aun así, conocemos personas increíbles, que nos ayudaron a conocer un poco más de la historia y de la actualidad de su país.

IMG_5497Mismo con muchas cosas por hacer y conocer en La Habana, aún conseguimos tiempo, y, de cierta forma, teníamos la obligación de conseguir tiempo para eso, para conocer Playa Girón, donde el imperialismo Ianque sufrió su primera derrota en América Latina, al intentar invadir Cuba en 1961. Fue un viaje corto, de un día, fuimos por la mañana y volvemos al atardecer, pero muy productiva. Cuando estábamos casi llegando paramos para pedir información para una señora que estaba en el borde de la carretera, ella indicó el camino y preguntó si podríamos la llevar, ya que estaba yendo para el mismo lado. Llevamos, claro. Y, por fin, con toda la conversación que tuvimos con ella, quien salió ganando fuimos nosotros. En Cuba hacer dedo es muy común, los bordes de las carreteras están siempre llenos de personas haciendo eso. Ya en Playa Girón, conocemos el museo de la Batalla y aún dio tiempo de aprovechar la playa, que es muy linda.

El día 16 fue de hacer las maletas, de ir por la última vez (en ese viaje, claro) al “Loco Loco”, restaurante donde fuimos casi todos los días que estuvimos en La Habana, de despedirnos de nuestros anfitriones, Letícia y Girardo, (quedamos en casas de familia todo el tiempo que quedamos en Cuba tras las Brigadas), de volver para el Aeropuerto Internacional José Martí, con la tristeza de dejar Cuba y el deseo de volver en breve, y la felicidad de volver para casa. En Cuba, ellos no carimbam el pasaporte de quien llega y sale del país porque países como los Estados Unidos dificultan más el visto e imponen multas para quién tenga ese carimbo. Quien quiera ese registro tiene que solicitar en el momento en que pasa por la inmigración. En la llegada yo no me acordé de pedir el carimbo, y lamenté eso por todo el viaje. Pero en la hora de irme yo acordé, y conseguí el recuerdo de Cuba que yo más quería: mi pasaporte carimbado por la inmigración cubana.

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UJC – Estudo. Trabalho. Fuzil.

IMG_4630A base do sistema político cubano está nas organizações populares, é através delas que a população se organiza e participa ativamente da Revolução Cubana. Entre as principais estão a CTC, Central de Trabalhadores de Cuba; a FMC, Federação de Mulheres Cubanas; as FAR, Forças Armadas Revolucionárias; a FEU, Federação Estudantil Universitária e a UJC, União de Jovens Comunistas que, depois do Partido Comunista Cubano, é a mais importante organização política do país.

A União de Jovens Comunistas é a organização de juventude do Partido Comunista Cubano. Ela surgiu a partir da Associação de Jovens Rebeldes (AJR), que era então a instituição que organizava a juventude cubana. No ano de 1962, durante o encerramento do Primeiro Congresso da AJR, Fidel Castro propôs que a entidade passasse a se chamar União de Jovens Comunistas, para reafirmar o caráter socialista e revolucionário da organização e, assim, no dia 04 de abril, foi fundada a UJC.

68983_10151473487827962_315599027_nO ingresso à UJC acontece de forma voluntária. Porém, para que um jovem seja aceito, existe um processo de seleção a partir de seu histórico de militância no seu ambiente de estudo, de trabalho e na vizinhança, como é o caso dos Comitês de Defesa da Revolução (CDRs). A União de Jovens Comunistas é também uma porta de entrada para o PCC, e atualmente conta com cerca de 600 mil militantes com idades entre 15 e 30 anos.

A instituição se organiza em três instâncias: o Congresso, que é a instância máxima de deliberação e se reúne a cada quatro anos; os Comitês, que são divididos em Nacional, Estaduais e Municipais e se reúnem duas, três e quatro vezes ao ano, respectivamente; e os Diretórios, também divididos em Nacional, Estaduais e Municipais, que têm caráter permanente e são responsáveis pela organização da UJC nos períodos entre as reuniões dos Comitês. Nos Congressos participam os delegados estaduais e são eleitos os representantes para os Comitês e Diretórios. Também é nos Congressos que são elaboradas as diretrizes ideológicas para o período.

75519_10151473499667962_1215070472_nUm dos principais focos da atuação da UJC é a formação política da juventude cubana, baseada nos princípios do comunismo e da Revolução Cubana. Além disso, o anti-imperialismo e o internacionalismo também são princípios seguidos pela instituição, que faz parte da Federação Mundial da Juventude Democrática e mantém relações com mais de duzentas organizações de juventude em todo o mundo.

Toda a atuação da UJC está baseada em três pontos fundamentais como princípios para a defesa da revolução: o estudo, o trabalho e o combate. Eles estão representados na bandeira da Organização através das imagens de Julio Antonio Mella (líder estudantil morto durante a ditadura de Fulgêncio Batista), Camilo Cienfuegos e Che Guevara, e do impactante lema: Estudo, Trabalho, Fuzil.

Publicado originalmente no Jornalismo B Impresso.

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5 Heróis:15 anos de Injustiça.

IMG_3659Cuba, que já passou por duas guerras de independência e uma revolução para conseguir libertar-se do colonialismo e imperialismo de Espanha e Estados Unidos, é um país de muitos heróis:  Carlos Manuel Céspedes, herói da primeira independência; José Martí, herói da segunda; Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos, heróis da Revolução Cubana. E existe, por parte do povo cubano, uma profunda admiração e uma real gratidão a esses cinco heróis, que têm seus rostos e ideais espalhados de ponta a ponta do país. No entanto, no coração cubano ainda existe espaço para mais cinco heróis. Eles se chamam Antônio, Fernando, Gerardo, Ramón e René e são os cinco antiterroristas cubanos presos em Miami há quase 15 anos.

IMG_3664Com o triunfo da Revolução Cubana, o país passou a sofrer uma série de atentados e tentativas de invasão, arquitetados desde os Estados Unidos por grupos terroristas cubanos. Os episódios mais conhecidos são o da invasão à Playa Girón, em 1961, e o da explosão de bombas que derrubaram o voo 455 da empresa Cubana de aviação, matando 73 pessoas em 1976. Nos anos 90, uma das formas de atuação dos terroristas eram os atentados em hotéis, a fim prejudicar o turismo, que já era uma das principais fontes de divisas de Cuba. Por isso, o governo cubano enviou ao país vizinho um grupo de agentes que tinham a missão de se infiltrar em grupos terroristas com o objetivo de captar informações sobre futuros ataques a Cuba. Em junho de 1998, com as informações enviadas pelo grupo de agentes cubanos que estavam em missão em Miami, o governo de Cuba entregou ao FBI um relatório com mais de 200 páginas, além de gravações, que comprovavam a existência de atividades terroristas no país. Em setembro do mesmo ano, os cinco antiterroristas foram detidos pelos Estados Unidos junto com outros agentes que participaram do programa de delação premiada e foram soltos.

IMG_3596Os 5, como são carinhosamente chamados em Cuba, foram acusados por mais de 20 crimes, incluindo “conspiração para espionagem” e “conspiração para homicídio”. No entanto, sempre negaram que estivessem no país para espionar os Estados Unidos e, ao contrário dos agentes delatores, em setembro deste ano completarão 15 anos de cárcere, tendo passado cerca de 17 meses em solitária. Entre novembro de 2000 e junho de 2001 eles foram a juízo em um julgamento extremamente questionável e foram todos condenados a penas máximas. Gerardo Hernández Nordelo: duas prisões perpétuas e 15 anos; Ramón Labañino Salazar: uma prisão perpétua e 18 anos; Antônio Guerrero Rodríguez: uma prisão perpétua e 10 anos; Fernando González Llort: 19 anos; René González Shewerert: 15 anos. A Anistia Internacional, alega que não foram apresentadas provas que demonstrassem a real culpa dos acusados, além disso, a entidade também defende que os cubanos não tiveram pleno acesso à defesa, já que muitas das provas foram declaradas secretas, segundo as leis estadunidenses. Outro questionamento que se faz é quanto ao julgamento ter ocorrido em Miami, onde ocorreu uma forte pressão popular e midiática pela condenação dos 5, impedindo assim que ocorresse de forma objetiva e imparcial.

IMG_3613Os heróis cubanos, que foram aos Estados Unidos com a missão de identificar e impedir a atuação de núcleos terroristas contrarrevolucionários, estão presos, injustamente, acusados de serem exatamente o que foram combater, terroristas. Por isso, em Cuba existe um imenso clamor pela libertação dos 5, essa pauta está presente em seminários, colóquios… Assim como se espalham pelas ruas os rostos dos heróis da independência e Revolução, se espalham também os rostos dos 5 heróis antiterroristas que resistem bravamente aos desmandos do imperialismo ianque. Hoje, em Cuba, acontece algo totalmente inusitado: não são os heróis que estão lutando pelo povo, é o povo que está lutando por seus heróis.

  • Indicação: O livro do escritor brasileiro Fernando Morais “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” conta de forma única a história dos 5 heróis cubanos.
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